É possível viver em uma cidade mais sustentável


Fernanda Gomes É um fato que essa pandemia evidenciou e potencializou as desigualdades e vulnerabilidades que estruturam nosso modelo de sociedade. Mas também é fato que nos deu uma oportunidade de recomeçar. E recomeçar pode significar simplesmente retomar tudo do ponto onde paramos, ou começar a fazer as coisas de maneira diferente.

Muito se fala sobre uma retomada sustentável pós-pandemia. Mas o que isso quer dizer na prática? Porque se tem uma palavra que hoje é usada sem muito rigor, essa palavra é sustentabilidade. No entanto, chegou a hora de tirarmos esse conceito dos discursos bonitos, das utopias e da nossa imaginação. Chegou a hora de aplicarmos a teoria na prática. E quando a gente fala sobre políticas sustentáveis todo mundo pensa nos enormes retrocessos que estamos vivendo nesse atual governo, com a devastação desenfreada da Amazônia, as queimadas no Pantanal e as constantes violências contra os povos indígenas. No entanto esse ano é ano de eleições municipais, e é nas cidades onde a agenda de sustentabilidade ganha contornos ainda mais práticos. Nós vivemos nas cidades e muito dos impactos ambientais negativos se originam nelas.

É aqui que precisamos pensar urgentemente em uma retomada baseada em modelos de baixo carbono e preservação e ampliação de áreas verdes. Precisamos investir em uma agenda focada na preservação da Mata Atlântica, que somou pelo menos 90 novas áreas desmatadas nos últimos 5 anos, de acordo com um dossiê divulgado pela equipe do vereador Gilberto Natalini (PV – São Paulo). Segundo o relatório, os maiores responsáveis pelo desmatamento são organizações que fazem loteamentos irregulares de áreas, ou seja, atitude criminosa que precisa ser combatida.

Também precisamos falar sobre a urgente transição energética no transporte público. Segundo uma pesquisa feita em parceria entre o Instituto Saúde e Sustentabilidade e o Greenpeace, se investirmos na substituição do diesel por ônibus elétricos salvaremos 12.796 vidas até 2050. Em valores, a estimativa é de R$ 3,8 bilhões. Sim, o transporte coletivo hoje mata e prejudica nossa economia, mas não precisa ser assim.

Outra necessidade é pensar em novas maneiras de viver e consumir. Aqui estamos falando de políticas públicas ligadas à agroecologia, agricultura urbana e orgânica, economia circular e preservação e ampliação de áreas verdes. E além de pensar na operacionalização desses temas é necessário não esquecer de investir em uma agenda de educação para a sustentabilidade. A sociedade precisa mudar seus hábitos de consumo e descarte. Precisamos sair do velho modelo extração, consumo, lixo, para um modelo integrado e sistêmico em que todos desempenhem um papel positivo nessa cadeia.

Uma retomada sustentável não é só possível: é necessária e urgente. E ela pode começar com o seu voto em novembro. Não escolha retomar tudo do ponto onde paramos. Escolha recomeçar.

*Fernanda Gomes é formada em Comunicação Social, pós-graduada em Administração e cursa uma especialização em políticas públicas e projetos sociais. É também formada em política pelo Renova BR, fundadora do projeto Existe Ler em SP e do Movimento Participa