PARACURU: ESPORTE E EDUCAÇÃO: ESSA É A NOSSA PRAIA


Eles não se intimidam com a altura e não se importam nem um pouco com a ‘quentura‘. Na terra do sol, eles adaptam corpo e mente para praticar um esporte pouco difundido no estado, mas de grandes resultados no Brasil e no mundo. Estamos falando de um trio parada dura, formado por jovens de Paracuru, no litoral Oeste do Ceará: Weriston, André e Gabriel. Meninos que descobriram juntos a liberdade que uma prancha e a natureza podem proporcionar na areia. Eles são atletas de sandboard. Na tradução para o português: prancha para areia.

A atividade é derivada do snowboard (prancha para neve), prática muito comum em países que contam com a neve em quase todos os meses do ano. Uma realidade muito distante da nossa no Brasil. Aqui, no litoral cearense, a neve dá vez à areia. O esporte é adaptado e eles não deixam nem um pouco a desejar, fazendo backflips (mortal para trás), frontflips (mortal para frente) e outras manobras que deixam o professor impressionado. Professor que atende pelo nome de Bruno Sales, campeão mundial e Sulamericano de Snowboard. E olha que o cara foi criado na areia, mas quando se viu de frente para a neve, não tremeu. Pelo contrário, se adaptou muito rápido antes das competições e se deu muito bem. “Eu consegui me adaptar, treinei muito bem e na hora de competir pra valer fiz o que eu sei e tudo deu certo, graças a Deus”, conta o Bruno. Ele é o responsável pelo Projeto Esporte e Educação: Essa é a Nossa Praia.

Por meio do projeto, realizado em Paracuru, litoral Oeste do estado e também no bairro da Sabiaguaba, em Fortaleza, pelo menos trinta jovens ocupam o tempo aprendendo e aperfeiçoando as técnicas da modalidade. Com essa atividade, deixam de ‘vagar‘ nos momentos que não estão na escola. Desse jeito, eles passam longe das “bad vibes” (vibrações e influências negativas), como eles mesmo falam.

Outra fera cearense desse esporte é Weriston Soares. Ele conheceu o esporte quando tinha doze anos. Hoje, com dezesseis anos, já participou de vários campeonatos locais, estaduais e até nacionais. A dedicação de quatro anos rendeu, inclusive, o título de Campeão Brasileiro Amador em 2016. Weriston mora com a família no Conjunto Nova Esperança, bairro situado em área de risco em Paracuru. Além do sandboard, o adolescente mantém o foco na escola. “Eu sei que é preciso ter boas notas e uma boa frequência escolar que são essenciais para progredir no futuro, no esporte e na vida, né?“, reflete ele.

Quem se junta ao Weriston é o André Duarte, dois anos mais novo, fez 14. Ele começou no sandboard aos 12 anos, quando conheceu o Projeto Esporte e Educação: Essa é a Nossa Praia. E se tem uma palavra que o André desconhece é “dificuldade”. Em função de uma paralisia infantil, o garoto é portador de uma deficiência física nos dois pés. E se você acha que isso o impede de dar saltos no ar com a prancha: está enganado! “Pra mim é tranquilo demais, consigo executar as manobras e me divertir nesse esporte. É bom demais praticar e competir”, fala Weriston. O professor Bruno confirma que essa possível limitação dele é tirada de letra. “Consideramos Andrezinho uma grande promessa para as Paralimpíadas de Inverno. Acreditamos que logo, logo, ele estará representando o Brasil mundo afora”, declara Bruno Salles.

Gabriel é quem completa o trio e é o mais novo dos três amigos e parceiros de sandboard. Ele tem apenas dez anos e conheceu a prancha e o esporte dois anos atrás. Já no primeiro ano praticando, a sua performance rendeu e chamou a atenção, ganhando inclusive o título de Campeão Brasileiro Iniciante 2016. Por meio do projeto, Gabriel é beneficiado com equipamentos caros e necessários para a prática do esporte. Por meio de boas ações, ele pode continuar a perseguir o seu sonho de se tornar atleta profissional. Para saber mais histórias e conhecer melhor o esporte, visite Paracuru, berço das feras do Sandboard.

Foto: Marcelo Mendonça