Saúde mental: é possível prevenir?


A prevenção da saúde mental das pessoas é o tema do Janeiro Branco. O branco simboliza paz e, no nosso caso específico, paz psíquica quer dizer, em última análise, saúde mental. Mas afinal qual a importância da saúde mental na sociedade moderna? A OMS responde esta pergunta de forma cabal através de um índice chamado DALY (Disabilitity Adjusted Life Years = Anos de Vida Ajustados Devido à Incapacidade) provocada pela doença. De todas as doenças, os transtornos mentais correspondem a 24.5% e os transtornos devido a uso de substâncias (álcool e drogas) a 6.9% totalizando assim 31.1% da incapacitação. Assim, quase um terço de todas as incapacidades provocadas por doenças em todo mundo são causadas por transtornos mentais (Whiteford et al., 2015). E o que temos feito para prevenir? Pouco, muito pouco. A prevenção pode ser entendida em três níveis distintos: primária (PP), secundária (PS) e terciária (PT). A PP seria a divulgação dos sintomas dos transtornos mentais para reconhecimento (p ex. depressão, transtorno bipolar, abuso de substâncias, esquizofrenia), a identificação de possíveis grupos de risco e locais onde procurar ajuda. A PS seria a identificação e tratamento precoce dos casos já no primeiro episódio para que o transtorno não venha a causar sequelas e reduza ao máximo a incapacitação. A PT refere-se a casos já diagnosticados que devem ser acompanhados para evitar o agravamento ou morte precoce causada pelo transtorno (no caso de depressão grave, o suicídio). Vamos a um exemplo prático, filhos de pais com Transtorno Bipolar (TB) tem maior probabilidade de ter TB. Os pais sabiam disso? Provavelmente não (faltou PP). Esses filhos que deveriam ser acompanhados sistematicamente pelo sistema de saúde para fazer o diagnóstico e tratamento precoce o foram? Não (faltou PS). Eles podem se envolver com álcool e drogas e tentar suicídio – infelizmente sim (faltou PT). Evidentemente, que um sistema integrado seria o ideal. Infelizmente o SUS - sistema ÚNICO foi implementado sem a criação do Prontuário ÚNICO. Todos nós temos apenas um CPF. Por qual motivo temos dezenas de prontuários? Cada ato de saúde é isolado, sem conexão com o outro. E o pior de tudo é que a saúde mental sequer é prioridade nos orçamentos públicos (menos de 5%). Em conclusão, não podemos continuar a dizer para pacientes/familiares “procure um CAPS” como uma solução mágica para o transtorno mental.

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