Tradição, prazer e alegria nas quadrilhas juninas

30/06/2018

Se depender dos grupos de quadrilhas, tem emoção suficiente pra deixar do menino ao cabra velho com a boca aberta e o olho arregalado diante de tanta beleza. Também pudera! As apresentações são preparadas e ensaiadas desde janeiro. Os esforços e as dificuldades são enormes pra fazer bonito dentro de quadra nos festivais Brasil adentro.

E organizar uma quadrilha é uma trabalheira das grandes. O amor tem que ser forte, igual ao do compadre Roberto Souza, presidente da Ceará Junino. “A gente tem a oportunidade de realizar sonhos, tirar os jovens da ociosidade, movimentar a economia criativa da nossa comunidade. É tudo muito gratificante e cada dia amo mais”, declara-se. Nascido há 15 anos no bairro Álvaro Weyne, o grupo conta conta com 67 pares de brincantes, mas ao todo, dentro e fora de quadra, são cerca de 220 pessoas envolvidas. Em 2018, a quadrilha homenageia a obra “Iracema”, de José de Alencar.

 

O professor de cultura e mídia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Tadeu Feitosa, explica que as festejos são importantes representações culturais e têm papel de mediação social, tanto no sentido de manter uma tradição como de arrefecer os dias. “ amenizam as tensões do dia a dia. São um refresco simbólico. Filosoficamente, a gente diz que a festa é hedônica porque vem do prazer, da alegria”, aprofunda o docente.

 

E foi o prazer de ser brincante que trouxe Cleylton Marques, 38, de volta à Paixão Nordestina. Durante dez anos, o gerente comercial foi o noivo da quadrilha. Desde 2012 afastado, Cleyton ainda se desconcerta com o som da sanfona e zabumba e, neste ano, retoma o posto de noivo, cheio de expectativa, sobretudo pelas mudanças. “As quadrilhas vêm sofrendo uma renovação. Era muito regionalizado e a era digital aproximou os grupos. Está cada vez mais forte a história que você conta em quadra”, compara Cleyton.

 

Esse processo de mudança, para Tadeu, é um processo natural. “Quem equivocadamente pensa que as festas, à medida que vão mudando, estão perdendo suas características culturais, isso é um engano. Elas, na verdade, estão dialogando com seu tempo”, elucida o professor. De um jeito novo ou antigo, o amor latente pelo São João já pode ser posto em prática. Por estas bandas, as fogueiras já estão montadas, as barraquinhas de comidas típicas abastecidas e as quadrilhas num pé e outro pra animar os arraiás.

 

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