Geração de energia solar domiciliar e empresarial cresce 44% no CE

Mesmo após a forte expansão nos últimos anos, o segmento de geração distribuída no Ceará deve manter a tendência de crescimento na casa dos dois dígitos nos próximos anos. Neste ano, até novembro, o número de unidades com geração fotovoltaica instaladas no Estado já é 44% superior ao de todo ano de 2017, quando o crescimento já havia sido de 98% em relação ao ano anterior.

Além do aumento da eficiência dos sistemas de mini e microgeração, a redução dos preços dos equipamentos e dos custos de instalação deverão fomentar ainda mais o setor. E, neste cenário, o Ceará se destaca, em relação a outros estados, pelo elevado índice médio anual de radiação solar. Hoje, o Ceará é líder no Nordeste no setor, e o sexto estado brasileiro com a maior potência instalada e o oitavo em número de unidades geradoras.

Para se ter uma ideia da evolução do segmento, de 2013 até 2017 foram instaladas no Estado 719 unidades geradoras de energia solar, com 12,6 megawatts (MW) de capacidade instalada, e apenas neste ano, foram adicionadas 556 unidades geradoras, com 8,0 MW de capacidade. A capacidade instalada de janeiro a novembro já é 37% à adicionada no ano passado. No País, o segmento é liderado por Minas Gerais, com 8,5 mil unidades e 102,7 MW de potência.

Embora a maior parte dos sistemas em operação, 71,2%, seja da classe "residencial" (909 unidades geradoras), o segmento "comercial", com 284 unidades, responde por 44% da potência instalada de geração distribuída no Estado, com 9,13 MW, enquanto o residencial dispõe de 5,20 MW. As outras unidades estão distribuídas nas classes "industrial" (33 unidades, e 5,22 MW), "poder público" (21 unidades e 0,96 MW), e "rural" (28 unidades e 0,23 MW).

Segundo Francisco Duarte, diretor executivo da empresa Ítalo-brasileira G2 Ecoenergia Solar, para 2019, a empresa prevê um incremento de cerca de 20% no seu plano de investimento para a instalação de placas fotovoltaicas nas modalidades residencial, comercial e industrial no Ceará.

Crescimento

Duarte diz que o crescimento para a empresa, que atua no mercado local desde 2015, tem sido exponencial. "Cada vez mais pessoas vão tomando conhecimento da possibilidade de instalação de placas solares, com um custo viável", diz.

De acordo com o executivo, o valor do investimento na aquisição das placas caiu bastante. "Há cerca de dois anos, fechávamos um negócio entre três e quatro meses. Hoje, fechamos de três a cinco negócios por mês", diz.

Ele diz ainda que a grande maioria dos investimentos é feita com recursos próprios.

Sistema

Entre as vantagens dos sistemas de geração solar está durabilidade dos equipamentos e o baixo custo de manutenção. Além disso, a economia de energia proporcionada por esse tipo de geração faz com que o retorno do investimento se dê em cerca de cinco anos. "A durabilidade das placas é de cerca de 40 anos, e a manutenção é quase zero. Com 12% da vida útil do sistema, você tira todo o investimento", diz Duarte. "Um usuário domiciliar zera todo o investimento em até cinco anos com uma economia de 80% no valor da conta de energia".

Para Ciro Lima, gerente de contas da Nansen, uma das maiores fabricantes de medidores de energia elétrica da América Latina, os incentivos e o barateamento dos equipamentos de geração fotovoltaica têm sido determinante para o desenvolvimento do setor nos últimos anos.

"Eu percebi uma alavancagem grande quando houve o incentivo para quem produz, principalmente de 2015 para cá", diz. "Para 2019, a nossa expectativa é de continuidade, com crescimento de 10% no mercado brasileiro para medidores bidirecionais (que são utilizados na geração distribuída)", completou.

Tecnologia

Para o futuro próximo, o setor deverá se beneficiar ainda do avanço tecnológico das baterias, que permitirá o armazenamento da energia gerada durante o dia com maior eficiência. "Com a evolução das baterias, o custo ficará ainda menor e o que já é realidade em outros países chegará em breve ao Brasil", diz José Roberto Reynaldo, diretor comercial da área de transformadores da Tsea Energia.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil conta com mais de 45 mil sistemas instalados, com mais 350 MW de potência instalada, tem o potencial de, até 2024, chegar à marca de 1,2 milhão de geradores de energia solar instalados em casas e empresas, representando 15% da matriz energética brasileira. E até o ano 2030, o mercado de energia fotovoltaica deverá movimentar cerca de R$ 100 bilhões.

Investimento

Mas para garantir o avanço da geração de energia fotovoltaica, que requer um investimento inicial considerável, a continuidade das linhas de financiamento serão fundamentais, como defende Jurandir Picanço, consultor de Energia da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis do Estado.

Picanço, no entanto, destacou o trabalho realizado pelo Banco do Nordeste (BNB), com a linha de crédito FNE Sol, do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Em 2018, até novembro, foram contratadas 36 operações no Ceará pelo FNE SOL, segundo o BNB, somando R$ 5,4 milhões. O dado representa alta de 159,0% no valor e 97,2% na quantidade.

"As coisas evoluíram mais rápido no Estado pelo apoio dado a todo o sistema de energia solar, pelo BNB, pela Fiec e pela Câmara Setorial", diz Picanço. "Mas esse desenvolvimento é no País todo, porque mesmo com um investimento inicial a partir de R$ 20 mil, você tem custos menores do que pelas tarifas das concessionárias", completa.

Por avanços tecnológicos e elevado nível de potencial no Nordeste, geração de energia solar domiciliar ou empresarial ganha força no Estado e número de unidades já é 44% maior em 2018 do que em 2017. Dados são da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)