Coronavírus: Itália e Alemanha dão sinais de que o pior já passou


Duas notícias boas podem indicar que o pior já passou na Alemanha e na Itália, onde as infecções por coronavírus começaram em janeiro.

A Itália registrou recorde de recuperados da covid-19 em um dia, neste sábado, 18. Depois de tanta tristeza e perda de milhares de vidas humanas, o país teve redução na quantidade de doentes nas UTIs.

Já a Alemanha anunciou que a covid-19 “está sob controle” no país, afirmou o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn nesta sexta, 17. (detalhes abaixo)

São informações que fazem refletir sobre atitudes anteriores tomadas pelos governos e quanto tempo elas demoraram pra deixar a pandemia “sob controle”.

Comparação com Brasil

A Alemanha teve o primeiro caso no dia 27 de janeiro em Munique, na Baviera, há 12 semanas.

Já a Itália confirmou seu primeiro caso 4 dias depois, em 31 de janeiro, também há 12 semanas, aproximadamente.

No Brasil a doença chegou quase 7 semanas depois. O primeiro caso confirmado de coronavírus aqui foi no dia 26 de fevereiro, há 50 dias, aproximadamente e a primeira morte por covid-19 foi confirmada no dia 16 de março, também em São Paulo.

Seguindo os parâmetros da infecção em outros países, o pico da doença ainda não aconteceu no Brasil.

Comparando as 3 semanas de diferença que temos em relação à Europa, sobre o primeiro caso confirmado, a doença deve crescer no Brasil até o final de maio.

Esta semana a quantidade de mortes dobrou em relação à anterior: foram 1223 nos últimos 7 dias, contra 692 na semana anterior. Por isso não é hora de baixar a guarda, ao contrário! E também é necessário aprender a lição de casa feita por outros países.

Alemanha

A Alemanha hoje é o quinto país em número de contágios com 137.439 casos confirmados e número de mortos reduzido: 4.110, de acordo com os dados do Instituto Robert Koch.

Para comparar, os EUA, têm 740 mil casos confirmados e quase 40 mil mortos.

O sucesso alemão, à frente do restante da Europa e EUA se deve à eficiência e a rapidez da gestão da crise, assim que começou a pandemia.

Houve investimento em pesquisas para detectar precocemente o vírus, gasto sanitário, aumento no número de leitos e tomada rápida de decisões políticas, ao contrário de países vizinhos, como França e a Espanha, que demoraram mais para agir.

Em janeiro mesmo os laboratórios de todo o país foram alertados e instruídos por Berlim sobre a necessidade de realizar testes diagnósticos.

Quando a crise estourou, o sistema de saúde da Alemanha não entrou em colapso porque desde o começo da epidemia, o país aumentou de 28.000 a 40.000 o número de leitos em unidades de tratamento intensivo. Na sexta-feira, 11.312 estavam disponíveis, de acordo com o instituto. A curva há dias parece ter achatado no país.

O país anunciou agora a abertura gradual das escolas, que começará em 4 de maio e que a Baviera, o estado mais afetado pela pandemia, atrasará em uma semana.

Itália

Na Itália, a notícia boa é o recorde no registro de pacientes curados da covid-19 em um só dia: 2.500 pessoas.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira, 17 pelo chefe de proteção civil italiano, Angelo Borrelli e divulgado pela rádio pública francesa RFI.

O país observa a quantidade de pacientes diminuir nas UTIs há um mês, o que pode ser um indício do fim da fase mais mortal da epidemia.

“Em 3 de abril tínhamos 4.068 pacientes nas UTIs, hoje temos um pouco mais de 2.800”, um número inédito desde 20 de março, afirma Franco Locatelli, presidente do Conselho Superior da Saúde da Itália.

Segundo ele, “a pressão nos hospitais foi claramente aliviada” nos últimos dias.

Outros dados despertam otimismo no país, como a estabilização da quantidade de doentes.

Em Nápoles, Bolonha, Veneza, Florença e Roma, o número de contaminados nos hospitais vem baixando a cada dia.

Além disso, em mais de 65 mil testes realizados em um dia – um recorde no país – apenas 5% acusaram positivo ao coronavírus.

Para Locatelli, essa é uma prova “da eficácia das medidas de confinamento tomadas para barrar o contágio”.

“Tudo isso nos ajuda a tomar consciência do grande trabalho realizado nos hospitais e da colaboração dos cidadãos”, reitera o presidente do Conselho Superior da Saúde da Itália.

Na sexta-feira, 17, as autoridades anunciaram 575 mortos em 24 horas, aumentando o balanço para 23 mil óbitos desde o início da epidemia na Itália.

Saída do confinamento

Com a redução da quantidade de doentes, a Itália se prepara para sair do confinamento, que começou no dia 9 de março.

“Estamos nos preparando para reabrir em 4 de maio”, afirma Atilio Fontana, governador da Lombardia, a região da Itália mais castigada pela Covid-19, com 12 mil mortos.

Mas o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, sofre uma forte pressão do empresariado pela reabertura de lojas e comércios.

Já as autoridades do sul do país – região menos atingida pelo coronavírus – temem uma volta à normalidade prematura.

Vicenzo De Luca, governador da região de Campânia, no sudoeste, afirma que se o fim do confinamento atingir toda a população, ele pode decretar a proibição da entrada de italianos do norte.

Sinal de que a vitória contra o coronavírus ainda vai levar algum tempo.

Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNotíciaBoa – com informações do ElPaís e R7