46% dos jovens preferem a vida no interior: cidades podem diminuir até 2030


O estilo agitado, com trânsito, insegurança, barulhos da cidade e estabelecimentos que funcionam 24 horas não está agradando os jovens de hoje em dia. A vida no interior parece muito mais benéfica para eles, de acordo com a pesquisa, que contempla o projeto “Better Living Program”, coordenada pela Electrolux. O levantamento foi feito com 14 mil pessoas, que 15 a 20 anos, em 13 países, como Argentina, Austrália, Brasil, Chile, França, Alemanha, Israel, Polônia, Suécia, Tailândia, Reino Unido, Estados Unidos e Vietnã. Ela quis compreender como os jovens querem que suas vidas fiquem até o ano de 2030. Vida no interior para os brasileiros

De acordo com pesquisa coordenada pela Eletrolux em 13 países, jovens querem uma vida no interior com casa grande. (Imagem: Prefeitura de Pérola / Divulgação)Os jovens brasileiros desejam que suas vidas em 2030 sejam bem diferentes do que eles vivem atualmente. Quem sabe, a pandemia de covid-19, que fez com que todos ficassem mais tempo dentro de casa, teve grande influência sobre os pensamentos das pessoas entre 15 e 20 anos.

Para 33% dos entrevistados brasileiros, por exemplo, é necessário ter uma casa grande para ter um estilo de vida sustentável. Quase metade dos participantes, 46%, também acreditam que essa casa precisa estar localizada no interior.

Dessa forma, os dados mostram que o dia a dia nas cidades grandes e em apartamentos compactos não é mais atraente para os futuros adultos. O que os jovens querem fazer nas casas grandes?

Cerca de um terço dos entrevistados afirmaram que querem ter uma casa grande para ter uma vida no interior com hábitos sustentáveis. Mas o que, realmente, eles querem fazer?

De acordo com a pesquisa, eles querem mesmo é colocar a mão na massa: 36% querem produzir seus próprios alimentos;

34% acreditam que vão realizar a compostagem ou reciclagem de todos os resíduos alimentares;

34% vão cozinhar alimentos saborosos à base de vegetais.


Por volta de 2030, os jovens também vão querer utilizar sistemas inteligentes para fornecer informações diárias sobre:

Saúde (36%);

Rotinas de exercícios (34%);

Recomendações de dieta (33%);

Orientações e conselhos para uma vida sustentável (32%).


Cidades do interior crescem

Desde o início do século XXI percebe-se um fenômeno de crescimento maior entre as cidades médias do interior do que as grandes capitais brasileiras. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2019, 54,2 milhões de pessoas (25,8% da população) moram nos 276 municípios que têm entre 100 mil e 500 mil habitantes. Cerca de 68,2% dos municípios que têm até 20 mil habitantes concentram 15,3% da população de todo o país. Publicidade Ainda sim, por mais que as cidades menores tenham um número considerável de habitantes, os incentivos para que as pessoas se mudem para grandes polos urbanos é alto.

Isso ocorre porque há grandes incentivos para a emigração dos municípios pequenos para os municípios maiores, que possuem mais ofertas de trabalho, serviços e estudos. Por outro lado, os grandes municípios, embora apresentem maior dinamismo econômico, também possuem fatores de expulsão populacional, como o maior custo de vida. Deste embate de forças, os municípios próximos aos grandes centros urbanos acabam absorvendo maior parcela da população que se desloca em busca de melhores condições de vida”, esclarece Izabel Marri, gerente da pesquisa de 2019 do IBGE.

Em 2017, por exemplo, os municípios com 150 mil habitantes que mais cresceram no estado de Goiás tiveram destaque na área agrícola. Em São Paulo, no mesmo ano, o interior cresceu mais do que a região metropolitana. Um exemplo disso foi município de Indaiatuba.

Um ano interior, em 2016, no Paraná, os municípios pequenos cresceram e ficaram menos desiguais do que as cidades grandes, de acordo com o Governo do Estado. Das 20 cidades que mais tiveram um desenvolvimento econômico positivo na época, 18 eram do interior.

Fontes: USP, Nossa Casa, IBGE, AEN