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Com nova tecnologia, idoso fica em pé três dias após implante de quadril.


Waldemiro Gomes, 69, tinha um problema no quadril que o acompanhou por 50 anos. A deterioração no local resultou na perda dos movimentos das pernas. O idoso foi o segundo a ser operado por meio de uma tecnologia nova no Brasil, e o primeiro em Brasília. Três dias após o procedimento, ele já ficou de pé e continua em recuperação.


Anteriormente, apontam os médicos, a recuperação total poderia chegar a até seis meses. Com a precisão do novo sistema, esse período foi reduzido para apenas quatro semanas.


"O paciente apresentava dor e rigidez no quadril direito. O caso era complexo por se tratar de patologia do desenvolvimento do quadril. O paciente foi submetido, quando tinha 17 anos, a tratamento cirúrgico no quadril para estabilização da articulação. Tinha dor e limitação dos movimentos na articulação coxofemoral direita, o que permaneceu até os dias atuais, com agravamento progressivo", conta Marcelo Ferrer, médico ortopedista e cirurgião ortopédico do Hospital Santa Lúcia de Brasília.


O paciente tinha, antes da cirurgia, um encurtamento de 13 cm da perna direita, em razão de uma deterioração óssea, o que comprometeu também a coluna lombar. Gomes andava com auxílio de muleta e grande dificuldade. A cirurgia trouxe alívio da dor e a recuperação da mobilidade da articulação do quadril operado. Atualmente, ele está em reabilitação com fisioterapia.


"Convivo com essa dor e limitação desde a cirurgia inicial, devido à falta de mobilidade e dores na coluna. Limitava muito meus movimentos. Nos últimos meses, ficou insuportável devido ao agravamento da crise. Fiz um procedimento em 1970 e, de lá para cá, degringolou. Nos últimos meses, fiquei praticamente impossibilitado de andar. Tive uma infecção na cabeça do fêmur", relatou.


"Fiquei ótimo. Consigo sentar corretamente, aliviou minhas dores na coluna, ando mais aprumado, aliviou a outra perna porque a diferença de 13 cm que existe entre os membros inferiores deve ser reduzida para 2 cm", conta Gomes.


"Fiquei sabendo do procedimento durante uma consulta com meu médico, doutor Marcelo Ferrer. Ele falou sobre a nova tecnologia e fiquei muito feliz com as explicações que ele deu e, de pronto, concordei. É uma cirurgia que recomendo a todos que precisarem, por ter menor tempo de duração e recuperação muito rápida", diz.


Entenda a tecnologia


A tecnologia, chamada Velys Hip Navigation, está em atividade em dois hospitais, um de São Paulo e outro de Brasília, e os resultados têm sido animadores. O primeiro procedimento ocorreu no hospital Moriah, na capital paulista.


O Velys é um sistema projetado para oferecer mais eficiência, precisão e acurácia, reduzindo em cerca de 33% o tempo da cirurgia e de 38% na dose de radiação. Isso porque ele é um software que permite ao cirurgião, por meio de imagens de raio-X, ter uma melhor visão da cirurgia.


Essa visão mais precisa aponta para o médico o melhor lugar para dar os cortes, o melhor ângulo para a colocação da prótese e, consequentemente, deixa a cirurgia mais rápida.


Sem o software, como ocorre nos outros métodos, a colocação da prótese exige um cálculo aproximado feito com base nas imagens de raio-X. Os profissionais precisam de inúmeras imagens para conseguir chegar mais próximo do esperado, o que gera ao paciente maior exposição à radiação.


O software, que opera integrado ao sistema e ao raio-X, realiza uma sobreposição de imagens computadorizadas de alta definição, em tempo real, para oferecer ao cirurgião o exato posicionamento do implante para cada corte e intervenção durante o procedimento cirúrgico.


O Hospital Moriah, de São Paulo, foi o primeiro do país a utilizar o sistema. A VivaBem, o responsável pelo procedimento, o ortopedista Marco Aurélio Silvério Neves, explica que a técnica utilizada antes do sistema Velys era muito invasiva. Os cortes e perda de sangue, segundo ele, levavam o paciente a um tempo maior de recuperação.


"Agora, a gente faz um corte na frente do quadril, onde existe um espaço entre os músculos. A gente só separa os músculos e já chega no quadril. Então, não precisa fazer nenhum corte na musculatura, não precisa mexer perto de nenhum nervo. A cirurgia é muito menos agressiva, o paciente sangra menos, tem menos dor no pós-operatório, não precisa ir para o CTI e já consegue andar super-rápido", disse. A tecnologia permite garantir que o paciente tenha uma prótese bem ajustada ao tamanho dele.


"Com a navegação, é possível usar a prótese mais certinha no paciente e deixá-la na posição e na angulação mais apropriadas. O sistema já prevê o tamanho da prótese de acordo com a anatomia do paciente e, durante a cirurgia, com esse sistema ligado a um aparelho de raio-X, vai tirando imagens durante a cirurgia e mostrando a melhor posição para colocá-la", continua.


O especialista ressalta que, nos países que não têm acesso a tecnologias com o sistema Velys, o resultado das cirurgias depende muito da habilidade do cirurgião. "Às vezes, o cirurgião tem uma capacidade maior, uma experiência maior, mas se a gente tiver recursos tecnológicos que vão garantir que a posição da prótese vai ficar mais homogênea, que o comprimento da perna não vai ter variação, isso significa que mais pessoas vão ter benefícios e resultados melhores", argumentou.


No Hospital Santa Lúcia, em Brasília, como é uma tecnologia nova, ainda não há uma parceria com o SUS (Sistema Único de Saúde), mas a equipe médica adiantou que, quando ficar mais consolidado, deverá receber pacientes vindos do rede pública, provavelmente em parceria com a Secretaria de Saúde. O procedimento pode ser custeado por planos de saúde.


Também ortopedista do Santa Lúcia, George Neri classificou o equipamento como um aperfeiçoamento da navegação com a introdução da robótica. Segundo ele, o ganho para a medicina brasileira é diminuir os erros que podem acontecer nos cortes e na discrepância dos membros no pós-cirúrgico.


"Creio que no futuro vai ter outros melhoramentos. Com o Velys, a gente faz uma programação cirúrgica prévia e o sistema ajuda a chegar próximo ou igual a essa programação. Uma das falhas da prótese de quadril é a má colocação dos implantes. Quando a gente fala má colocação, inclui as angulações, os cortes etc. E nisso aí o Velys ajuda a trazer um melhor resultado", destaca.


Fonte:uol.com.br



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