Desafio: alimentar 10 bilhões de habitantes em 2050


Esalq está com três projetos para auxiliar a comunidade, em Piracicaba e São Paulo, no Cidades Sustentáveis


Referência mundial nos estudos agrários, a excelência acadêmica da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) tem uma missão nobre alimentar com sustentabilidade uma população de 10 bilhões em 2050. Aos 120 anos, comemorados em 2021, a escola está “de olho” na comunidade e na qualidade do ensino.


Aniversariante em 3 de junho e durante os eventos da 64ª Semana Luiz de Queiroz – que começa amanhã (4) – esses são os focos das atividades que envolvem as celebrações.


“Ao completar 120 anos em 2021, a Esalq figura como uma das cinco melhores escolas de ciências agrárias do mundo e o século 21 impõe ao mundo um grande desafio: como alimentar 10 bilhões de pessoas em 2050 e a universidade protagoniza, diante disso, papel fundamental no desenvolvimento de tecnologias que possam garantir a segurança alimentar do Brasil e do mundo”, comenta o diretor da instituição, professor Durval Dourado Neto.


Nessa década, a Esalq vem empreendendo esforços para contribuir com políticas públicas voltadas ao agronegócio, seja relacionado à agricultura familiar, médio produtor ou grande produtor rural. Projetos desenvolvidos pelo Grupo de Políticas Públicas incluem atenção à Ater (Assistência Técnica e Extensão Rural), segurança alimentar e nutricional, agricultura irrigada, agricultura familiar e médio produtor, ordenamento territorial e governança de terras e conectividade no meio rural.


“Temos linhas de pesquisas desenvolvidas nas grandes áreas das Ciências Agrárias, Ambientais, Biológicas e Sociais Aplicadas e, a maioria delas, tem como mote principal desenvolver soluções tecnológicas que possam, de fato, resolver demandas sociais nos ambientes rural e urbano”, aponta o diretor da Esalq.


NOVIDADES

O êxito da atuação da Esalq na comunidade foi confirmado a partir do programa USP Municípios, que coordena o Desafio USP – Cidades Sustentáveis. Nessa ação, três projetos envolvendo docentes da Esalq foram contemplados para serem desenvolvidos no segundo semestre de 2021. A escola de Piracicaba irá desenvolver temas como gestão da arborização, a relação entre agricultores e consumidores e uso adequado da vegetação neste segundo semestre.


A iniciativa selecionou 27 projetos, de um total de 132 propostas enviadas pelas dezenove unidades da USP, reunindo alunos de graduação e pós-graduação. As propostas trabalham em diferentes temáticas voltadas para responder questões vinculadas ao ODS 11 (Objetivos Sustentáveis da ONU) com foco na resolução de problemas dos municípios.


O “Proposta para Implementação do Programa de Gestão Digital da Arborização Urbana na Cidade de Piracicaba” tem a coordenação do professor do departamento de Ciências Florestais, Luiz Carlos Estraviz Rodriguez. A ação propõe a gestão das árvores de forma mais eficaz com a otimização de recursos humanos e operacionais disponíveis, bem como proporcionar redução significativa nos custos, além de diminuir o número de acidentes, danos ou prejuízos decorrentes da queda de árvores na cidade.


Já o “Conectando Agricultores Urbanos e Consumidores para o Desenvolvimento Sustentável em Piracicaba” é coordenado pela professora do departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição, Thais Maria Ferreira de Souza Vieira. Ela trabalhará para a promoção da agricultura familiar e agricultura urbana sustentável de forma a conectar os produtores locais com as comunidades que precisam de alimentos.


O projeto da professora Thais envolve o levantamento de informações sobre legislações, portarias e marcos legais, nacionais e internacionais, sobre locavorismo, selos e certificações. Paralelamente, será realizado o mapeamento detalhado sobre os agricultores locais.


O objetivo é colher dados para formar uma base sólida a fim de elaborar uma marca, na forma de selo, contribuindo para a valorização dos participantes do sistema, suas raízes rurais e da riqueza do patrimônio material e imaterial de Piracicaba. “O reconhecimento da iniciativa certamente fortalecerá a percepção dos cidadãos de Piracicaba como uma cidade mais sustentável.”


Thais conta que a ideia é que haja uma plataforma bem como um selo para um caráter inclusivo, permitindo que agricultores, espaços comerciais, agentes ligados ao ecoturismo e todas as demais iniciativas comunitárias relacionadas aos temas de agricultura sustentável e alimentação saudável. “Trata-se de um passo em direção da agroecologização do território de Piracicaba, como mencionado na introdução da proposta, o que corresponde igualmente à perspectiva de inclusão produtiva rural.”


Sobre o “Uso Adequado da Vegetação para Redução da Vulnerabilidade Socioambiental em Áreas Urbanas”, do professor Edmilson Dias de Freitas, do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) e vice coordenação da professora Vânia Galindo Massabni, do departamento de Economia, Administração e Sociologia, será desenvolvido com propostas para o município de São Paulo.


Cristiane Bonin cristiane.bonin@jpjornal.com.br