MCTI apresenta experiências no uso de tecnologia e inovação para cidades sustentáveis



Após completar pouco mais de quatro anos de atuação o CITinova, projeto coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), fez uma espécie de balanço das principais atividades desenvolvidas no período. O projeto conta com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) e é implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Além da coordenação do MCTI o CITinova é executado em parceria com Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES) e Porto Digital; Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE/MCTI); Programa Cidades Sustentáveis (PCS) e Secretaria do Meio Ambiente (SEMA/GDF).


A apresentação aconteceu no último dia 18 de maio, em São Paulo (SP). Foram expostos três painéis com projetos desenvolvidos nas áreas de “Planejamento Urbano Integrado”, “Investimentos em Tecnologias Inovadoras” e “Plataformas para Cidades Sustentáveis”.


O CITinova é um projeto multilateral que oferece conteúdo sobre planejamento urbano, com foco no desenvolvimento de cidades mais sustentáveis e elabora plataformas que apoiem a gestão pública nas áreas de água, resíduos, energia, mobilidade e mudanças climáticas. Além disso, mantêm dois projetos-piloto nas cidades de Recife (PE) e Brasília (DF) para demostrar como é possível encontrar soluções tecnológicas que promovam o desenvolvimento sustentável de cidades brasileiras.


O coordenador-geral de Ciência para Biodiversidade do MCTI e diretor nacional do Projeto CITinova, Luiz Henrique Mourão do Canto Pereira, destacou a importância dos projetos-piloto como legado e exemplo para outras cidades. “Um país tão heterogêneo como o nosso, mas ao mesmo tempo com tantas assimetrias, precisa ter abordagens e soluções que contemplem os diferentes cenários brasileiros”, avaliou.


Planejamento Urbano Integrado - No primeiro painel, a Agência Recife de Inovação e Estratégia (ARIES), coexecutora do projeto, apresentou a experiência da Política de Habitação de Interesse Social. A partir dessa ação, o CITinova oferece instrumentos que podem ser utilizados por governos locais para melhorar o trabalho realizado na construção de novas moradias.


Como exemplo, a diretora de projetos da ARIES, Mariana Pontes, falou sobre o percurso metodológico aplicado pelo Estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental para Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação de Mercado Popular (HMP), que foi concluído e entregue para a prefeitura de Recife. “A nossa premissa era trabalhar a moradia digna e bem localizada na cidade. A nossa meta é contribuir para diminuir em 20% o déficit habitacional na capital pernambucana”, salientou.


Tecnologia e Inovação - O segundo painel, denominado “Tecnologia e Inovação”, expôs como os projetos-piloto dos jardins filtrantes em Recife e recuperação de áreas degradadas no Distrito Federal têm buscado solucionar desafios históricos dessas cidades. Para isso, a coordenadora nacional do CITinova, Ana Lúcia Stival, ressaltou os aspectos técnicos a respeito do planejamento urbano implementados nos territórios e as ações focadas na promoção da sustentabilidade.


Durante o evento, Stival destacou, também, o diferencial do CITinova contar com a participação efetiva de mulheres em sua construção. “Tivemos aqui um painel composto por cinco mulheres, e essa presença massiva de autoridades femininas falando sobre planejamento de cidades, inovação e sustentabilidade permite olhares necessários para a questão de gênero e desenvolvimento urbano”, ressaltou.


Já a assessora especial da Subsecretaria de Gestão de Águas e Resíduos Sólidos da Secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal, Elisa Meirelles, apresentou dois projetos do CITinova realizados na capital federal, responsáveis pela preservação e recuperação do bioma Cerrado nas Bacias do Rio Descoberto e Rio Paranoá. “Essas bacias são importantes porque 80% do abastecimento público vem justamente dos reservatórios de águas do Descoberto e do Paranoá”, explicou.


O painel contou ainda com as participações da diretora do ARIES, Mariana Pontes, do secretário de Meio Ambiente de Recife, Carlos Ribeiro, e do docente do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA), Manuel Eduardo Ferreira.


Plataformas para Cidades Sustentáveis - "O terceiro painel tratou sobre a disseminação de conhecimento sobre indicadores e soluções inovadoras para cidades sustentáveis. O coordenador geral do Programa Cidades Sustentáveis e do Instituto Cidades Sustentáveis, Jorge Abrahão, anunciou que, em julho, a Plataforma Cidades Sustentáveis lançará o índice de sustentabilidade de todos os municípios brasileiros a partir dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estipulados pela Organização das Nações Unidas (ONU).

“A nossa plataforma tem acesso gratuito e usa software livre para que a gente ganhe escala no Brasil. Nosso país tem mais de cinco mil municípios, sendo que 80% da população vive em áreas urbanas. Assim, nosso desafio é grande. Temos que incorporar essas cidades para conseguir esses avanços de uma forma geral”, finalizou.